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Jovens têm dificuldade de falar sobre depressão com família e colegas

Depressão e suicídio são assuntos que, de alguma forma, estão no radar de adolescentes e adultos jovens.

10/09/2019 17:17:23

 Jovens têm dificuldade de falar sobre depressão com família e colegas

 Depressão e suicídio são assuntos que, de alguma forma, estão no radar de adolescentes e adultos jovens. A discussão é impulsionada, por exemplo, por filmes e séries que tratam os temas, como 13 Reasons Why, da Netflix. Mas apesar de estarem 'antenados' quando o assunto é saúde mental, esse mesmo público não se sentiria à vontade para falar sobre depressão com a família, colegas de trabalho ou de escola se recebesse o diagnóstico da doença.

A constatação é de uma pesquisa feita pelo Ibope Conecta com dois mil brasileiros, a partir dos 13 anos de idade, em diferentes regiões metropolitanas do País. Segundo os resultados, 39% dos adolescentes de 13 a 17 anos dizem que não se sentiriam à vontade para dividir o problema com a família e 49% não compartilharia o diagnóstico na escola ou no trabalho.

Entre a população de 18 a 24 anos, a porcentagem é um pouco maior: 56% não contaria aos colegas de trabalho ou de escola sobre o problema e o principal motivo seria a percepção de que as pessoas não costumam levar a depressão a sério.

Os dados são preocupantes porque a depressão é o principal fator de risco para o suicídio e, ao contrário do que se pensava, não falar abertamente sobre esses temas pode piorar a condição. Ou seja, esconder não é a solução. Outro alerta é que o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado nesta segunda-feira, 9.

"Os adolescentes estão muito mais 'ligados', percebendo os sintomas, mas a pesquisa revelou algo forte. Apesar de estarem 'ligados', eles não têm coragem de falar que estão com depressão porque existe estigma, tabu, preconceito, como se não fosse uma doença. Eles têm noção [da depressão], mas também têm noção do quanto ainda tem preconceito", avalia a psiquiatra Alexandrina Meleiro, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Segundo a especialista, o preconceito que existe contra a depressão afeta os jovens a ponto de eles evitarem reconhecer que estão sofrendo da doença. A desinformação também é outro fator que contribui negativamente. Na faixa etária de 18 a 24 anos, a pesquisa mostrou que 26% considera que a depressão é uma 'doença da alma' e 29% não está totalmente convencido de que a doença é semelhante a qualquer outra e pode ser tratada com sucesso.

Entre os mais jovens, de 13 a 17 anos, 23% acredita que não existem sintomas físicos na depressão, porque ela seria "apenas um momento de tristeza". "As pessoas entendem a doença mental como falha de caráter", justifica o médico psiquiatra Primo Paganini sobre essa percepção errada. "A depressão é um desafio, porém jamais uma fraqueza. Ela é uma condição física com repercussão psíquica, precisa tratar com medicação e psicoterapia", afirma o especialista, diretor-médico da eCare.

Os sintomas físicos da depressão incluem consequências cardiovasculares, aumento da glicemia e do colesterol, risco de trombose, enfarte e arritmia. "Uma doença mental que começou com estresse ou trauma faz morrerem neurônios no cérebro e diminuir o nascimento de novos, processo chamado de neurogênese", explica Paganini. Um evento traumático libera proteínas inflamatórias pelo corpo, que vão agir para aumentar a resposta agressiva e do medo e reduzir a capacidade de memória e controle do estresse. Em seu canal no YouTube, Meu Primo é Médico, Paganini dá algumas aulas sobre doenças mentais, principalmente sobre depressão, e explica essas consequências da doença.

Depressão em adolescentes

Segundo os especialistas, a irritabilidade é a principal característica da depressão em adolescentes, diferente do humor deprimido que fica mais claro em adultos. Isso pode fazer com que as pessoas ao redor confundam a doença com a manifestação típica da chamada 'aborrecência'.

"Normalmente, a irritabilidade típica não vem acompanhada de baixa autoestima, sensação de inferioridade ou questionamentos da própria competência", alerta Paganini. Ele orienta que família, amigos e escola fiquem atentos a um comportamento mais isolado. Alexandrina também afirma que os adolescentes não têm hábito de queixas emocionais psíquicas e que é preciso ajudá-los e buscar essa expressão.

Segundo Paganini, existe resistência em perceber a depressão em pessoas nessa faixa etária. "Muitos pais entendem a depressão ou a ansiedade na adolescência como culpa deles. Eles se sentem ofendidos quando falamos que o filho está deprimido ou perguntamos se tem ideação suicida. Têm resistência porque eles entendem a doença mental como doença de louco e na verdade é [doença] cívica", afirma.

Texto Extraído do Site MSN.

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