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Morre o cantor Serguei aos 85 anos

Uma das figuras mais emblemáticas do rock brasileiro, Serguei morreu nesta sexta-feira

07/06/2019 21:21:58

 Morre o cantor Serguei aos 85 anos

Uma das figuras mais emblemáticas do rock brasileiro, Serguei morreu nesta sexta-feira, 7. Ele estava internado desde o dia 6 de maio no Hospital Zilda Arns, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada ao Estado pela Secretaria de Saúde do Governo do Rio de Janeiro.

O músico havia sido transferido ao Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Zilda Arns no dia 29 de maio, após uma piora na sua situação de saúde. Ele estava internado em Saquarema desde o início de maio com um quadro de desidratação, pneumonia e infecção urinária. Ele também tinha Alzheimer.

Nascido em 8 de novembro de 1933 no Rio de Janeiro, Sérgio Augusto Bustamente passou parte da adolescência nos Estados Unidos, e depois de alguns retornos ao Brasil (onde foi bancário e comissário de bordo), voltou à América da Norte tentar uma carreira na música — ele viveu no Village, em Nova York, dos anos 1960, e no final da década conheceu Janis Joplin, morou com ela em San Francisco e esteve presente no festival de Woodstock, em 1969.

Entre 1966 e 1970, lançou no Brasil cinco compactos por selos independentes e também participou do LP A Grande Jogada e Margarida, da gravadora Continental. Produzido por Nelson Motta, um de seus compactos também chegou a sair pelo selo Polydor, da Polygran. São dessa época interpretações conhecidas, como Eu Sou Psicodélico e Maria Antonieta Sem Bolinhos. Em Eu Sou Psicodélico (de Carlos Cruz e Emanoel Rodrigues), por exemplo, Serguei canta numa entonação que lembra um mal comportado Roberto Carlos da Jovem Guarda, sobre uma base percussiva de bossa nova e metais. 

Depois de alguns outros lançamentos esparsos nas décadas de 1970 e 1980, voltou aos holofotes com sua participação explosiva no Rock in Rio em 1991, quando foi eleito, hors concours, em um concurso para tocar no festival — é possível ver em vídeos ele pedindo para as 50 mil pessoas sentarem no chão do Maracanã, descer à plateia e cantar Summertime, canção imortalizada na voz de Janis Joplin.

Apesar de ter sido o primeiro artista no Brasil a se definir como psicodélico, Serguei dizia nunca ter usado drogas.

Em 1999, o jornalista e diretor de TV João Henrique Schiller lançou Serguei: O Anjo Maldito, biografia do cantor. Serguei esteve em São Paulo para o lançamento do livro, onde deu uma de suas versões de sua história com Janis Joplin. Emocionado, disse ao Estado: “Ela era um turbilhão de energia, assim como eu. Acredito que nós chamávamos a atenção porque vivíamos sem algemas no cérebro. Janis era meu ídolo, me inibia… Mas bem que eu passei a mão nela”.

Na ocasião, ele diminuía o pouco interesse que as gravadoras tiveram por ele ao longo da carreira dizendo que o artista se fazia no palco. “Eu continuo na estrada e tenho agradado muito”, disse. Entre as bandas com quem Serguei tocou ao longo da carreira, estão The Centaurs, Cerebelo e, mais recentemente, a Pandemonium, do Rio.

Em 2002, o selo Baratos e Afins, de São Paulo, lançou uma coletânea de suas músicas, e em 2009, quando tinha 75 anos, Serguei gravou e lançou o disco Bom Selvagem, pela Blues Time Records, com a banda Pandemonium. Ele gravou músicas que interpretava desde os anos 1970.

Mesmo com a carreira musical espaçada, Serguei ficou conhecido pelo comportamento excêntrico, pelos shows muito celebrados pelos colegas de geração e pelas histórias malucas de festas com Jim Morrison e, claro, Janis Joplin.

“Quando a geração do rock anos 1980 chegou, no Brasil, o Serguei já era uma figura histórica do rock brasileiro”, disse Frejat em Serguei: O Último Psicodélico, documentário de Ching Lee e Zahy Tatá, que estreou no festival In-Edit em 2017, em São Paulo. “Ele era sexy, atraente, coisa de roqueiro, né?”, comentou Ney Matogrosso.

No mesmo filme, Alcione conta que em um dos seus encontros casuais com Serguei na noite do Rio, em Copacabana, eles encontraram Janis Joplin e levaram a cantora americana para uma boate no Leme (o Porão 73), onde ela fez talvez sua única apresentação, ainda que rápida, no Brasil (Serguei conta a mesma história numa entrevista a Jô Soares em 1990, disponível no Youtube). “Serguei sempre foi livre para tudo. Foi o primeiro hippie que conheci, o primeiro que vi usar aqueles tamancos, aquelas roupas...”, disse Alcione em 2016.

Desde fevereiro de 2009, o perfil do twitter @sergueirock emana frases inspiradas no universo do cantor (nesta sexta-feira, 7, o perfil contava com 100 mil seguidores; quem comanda a página é o redator Tuca Hernandes, sem relação com o músico).

Em 2011, o Multishow produziu o programa Serguei Rock Show, gravado no Templo do Rock, espaço onde Serguei vivia em Saquarema (RJ), com exibição de peças de roupas, discos, prêmios, livros, cartazes, filmes e outros materiais sobre sua vida

Dois anos depois do programa na TV, em 2013, ele participou do Rock in Rio novamente. “Quando Serguei entrou cantando Satisfaction, dos Rolling Stones, o palco quase foi abaixo. O público tentou abraçar Serguei, muita gente subiu no palco, os fotógrafos ensandeceram, os seguranças não davam conta. As calças de Serguei caíram, teve de entrar um produtor para erguê-las em plena função, enquanto ele cantava”, escreveu Jotabê Medeiros no Estado naquela ocasião.

Em 2015, fez suas últimas apresentações ao vivo (no mesmo ano, o documentário Janis – Little Girl Blue omitiu o cantor das histórias de Janis com o Brasil).

Pelo menos desde 2016, Serguei passava por um momento difícil financeiramente. A água acumulada nas paredes do seu Templo do Rock havia gerado mofo, o que lhe fazia mal aos pulmões. Em entrevistas mais ao fim da vida, Serguei dizia sentir muitas saudades, especialmente da mãe e do pai, e desdenhava da idade. “O hardware tem 82 anos (em 2016), mas o software, 30. Tenho muita coisa pela frente. Minha ideia é agora viajar o mundo percorrendo festivais de cinema. O melhor está por vir”.

Texto Extraído do Site MSN 

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